O que é um Mestre Espiritual?

O Mestre Espiritual
por Sri Chinmoy, do livro O Mestre e o Discípulo

Um Mestre espiritual verdadeiro é alguém que alcançou a Deus-realização.
Todos nós somos um com Deus, mas o Mestre espiritual verdadeiro
estabeleceu a sua unicidade consciente com Deus. A qualquer momento, pode
entrar numa consciência mais elevada e trazer mensagens de Deus para
aqueles discípulos que têm fé nele. O Mestre, se genuíno, representa Deus na
Terra para aqueles buscadores que têm verdadeira aspiração e fé no Guru. Ele
foi autorizado ou encarregado por Deus a ajudá-los. O verdadeiro Professor, o
verdadeiro Guru, é o próprio Deus. Mas na Terra, Ele normalmente agirá em e
através de um Mestre espiritual. O Mestre energiza o buscador com inspiração
e, com o tempo, através da infinita Graça do Supremo, oferece ao buscador a
iluminação.
Engana-se se entender o Mestre como apenas a pessoa, como o corpo
humano. Deve sentir que o verdadeiro Mestre está para lá do físico.
Porque é que os meus discípulos vêm até mim? Porque o seu verdadeiro
Mestre, o Supremo, está dentro de mim. O Supremo também está dentro deles,
mas neles, Ele está dormente, enquanto que em mim Ele está completamente
desperto. O Mestre e o discípulo são como dois amigos que têm a mesma
capacidade, mas um está a dormir e precisa de ajuda para acordar antes de
poder manifestar a sua capacidade. O Guru é alguém que chega, toca os pés
do seu irmão e, acariciando a sua cabeça, diz “Por favor, levanta-te. Chegou a
hora de trabalharmos para o nosso Pai.”
Quando um Mestre aceita alguém como discípulo, ele aceita aquela pessoa
como parte de si. Se o discípulo é imperfeito, o Mestre também está imperfeito.
Na perfeição do discípulo está a perfeição do Mestre. Eu digo sempre que não
tenho individualidade nem personalidade. São os feitos dos meus discípulos
que me levarão ao Céu ou ao inferno. Eu tenho a capacidade de permanecer o
tempo todo no Paraíso, mas eles podem facilmente arrastar-me para o inferno
a qualquer momento porque eu aceitei-os como parte de mim.
Um verdadeiro Mestre espiritual procura trazer à tona a divindade interior do
discípulo do fundo do seu coração. Bate à porta-coração do discípulo e
desperta a criança divina nele, que nós chamamos alma. E diz à alma: “Vais
tomar conta dos outros membros da família – o físico, a mente e o vital – e
cuidarás deles. Eles estão constantemente a cometer erros. Dá-lhes uma nova
vida, um novo significado, um novo propósito.”
É trabalho do Mestre espiritual fazer os seus discípulos sentirem que, sem
amor, sem verdade e luz, a vida não tem sentido e é infrutífera. A coisa mais
importante que um Mestre espiritual faz pelas suas crianças espirituais é trazer-
lhes a perceção consciente de algo vasto e infinito dentro delas mesmas, o que
não é senão, o próprio Deus.
A mais elevada Verdade transcendental está dentro dos nossos corações, mas
infelizmente ainda não a descobrimos. Por isso, peço aos meus discípulos que
vão fundo dentro de si mesmos e meditem no coração, que abriga a alma. Por
fim, eles aprendem como contatar a alma e começam a ouvir as suas
orientações. Nesta altura, começam a progredir verdadeiramente em direção à
descoberta do seu mais elevado e profundo Eu.

Se já for um buscador evoluído, isso é, se já praticava a vida espiritual em
encarnações anteriores e consegue ouvir o que diz o seu ser interior, não lhe é
absolutamente necessário ter um Mestre espiritual. Neste caso, tem apenas de
mergulhar no seu interior profundo e praticar a vida espiritual com toda a
sinceridade. Como não deseja a ajuda de um Mestre, dependerá
completamente de si e da infindável Graça de Deus. Todavia, é importante
lembrarmo-nos que o caminho espiritual é muito árduo; raramente alguém
realizou Deus sem a ajuda de um Mestre espiritual. Os próprios Mestres
espirituais, na sua maioria, receberam ajuda de alguém por um dia, um mês,
um ano ou dez anos antes de realizarem Deus.
Assim como precisamos de professores para o conhecimento exterior – para
iluminar o nosso ser exterior – também precisamos de um Mestre espiritual
para nos ajudar e nos guiar na vida interior, especialmente no início. Senão, o
nosso progresso será muito lento e incerto, e poderemos sentir-nos muito
confusos. Teremos experiências elevadas, mas não lhes daremos a
importância devida. A dúvida poderá eclipsar a nossa mente, e diremos: “Sou
apenas uma pessoa comum, então como posso ter este tipo de experiência?
Talvez eu me esteja a iludir.” Ou quem sabe contaremos aos nossos amigos e
eles dirão: “É só uma alucinação mental. Esquece essa história da vida
espiritual.” Mas, se houver alguém que saiba o que a Realidade é, dirá: “Não
sejas tolo. As experiências que tens tido são absolutamente reais.” O Mestre
encorajará e informará o buscador, e também lhe dará as devidas explicações
sobre as suas experiências. Do mesmo modo, se o buscador tem feito algo
errado na sua meditação, o Mestre poderá corrigi-lo.
Porque é que vamos à universidade, se podemos estudar em casa? Porque
sentimos que receberemos instrução especial de quem conhece bem o
assunto. Existem algumas – ainda que muito, muito poucas – pessoas de
verdadeiro conhecimento que não estudaram em nenhuma universidade. Sim,
existem as exceções. Toda a regra admite exceções. Deus está em todos, e se
um buscador sente que não necessita de ajuda humana, será muito bem-vindo
para testar a sua capacidade sozinho. Mas, se é sábio e deseja correr para a
sua Meta, ao invés de tropeçar ou simplesmente caminhar, certamente a ajuda
de um Guru será muito útil.
Digamos que estou em Londres. Sei que Nova York existe e que tenho de
voltar para lá. Do que preciso para chegar lá? De um avião e de um piloto.
Apesar de saber que Nova Iorque existe, não posso chegar lá sozinho. Do
mesmo modo, sabe que Deus existe. Quer alcançar Deus, mas alguém deve
levá-lo até lá. Assim como o avião me leva a Nova Iorque, alguém tem de nos
conduzir para a consciência de Deus que está no nosso interior profundo.
Alguém tem de mostrar-nos como entrar na nossa própria divindade, que é
Deus.
Um Mestre espiritual vem até nós com um barco. Ele diz, “Vem! Se desejas ir
para a Costa Dourada, eu levo-te. Uma vez no meu barco, podes cantar,
dançar e até dormir, eu levo-te até à Meta em segurança.”
Há milênios temos nadado no mar da ignorância. Quando despertamos,
queremos cruzar esse mar em direção ao oceano de Luz e Deleite. Se
sabemos que há um barqueiro, e que há um barco que pode levar-nos com
segurança à nossa meta, naturalmente tentaremos obter a sua ajuda. Um
Mestre espiritual genuíno sabe o caminho e dedica-se a ajudar-nos a alcançar
essa meta. Como um barqueiro, ele leva-nos à outra margem.

Se qualquer pessoa o ajudar no mundo exterior – seja um advogado ou um
médico, por exemplo – ele vai cobrar. Mas, quando o Guru o leva à sua meta,
não pede nada em troca. Não tem de lhe dar nem um cêntimo da sua riqueza
porque ele tem a sua própria riqueza infinita. Vai perceber que toda essa
riqueza é a mesma. A meta dele, a sua meta, e a meta de todos é a mesma:
Paz, Luz e Beleza infinitas. O Mestre espiritual diz: “Tu tens fome. Eu tenho um
suprimento infinito do alimento divino que desejas, por isso não preciso de
nada teu.”
Na vida comum, se as pessoas veem alguém receber ajuda, podem pensar:
“Oh, ele não pôde fazer aquilo sozinho.” Mas a pessoa que está realmente
faminta por Deus expressa-se assim: “Não importa quem oferece a comida,
pois estou com fome e quero comer agora. Essa é a comida pela qual tenho
ansiado durante toda a minha vida, e está agora a ser-me dada. Enquanto me
alimentarem com Divindade verdadeira, deixa-me comer.”
Se sente que ao aceitar um Mestre estará a evitar as próprias
responsabilidades, está enganado. Desta forma estará a separar-se do seu
Mestre. Aqueles que são meus discípulos muito devotados não se sentem
estranhos. Sentem a sua unicidade comigo, sentem que tenho mais
capacidade que eles e, então, identificam a sua pouca capacidade com a
minha capacidade maior. Quando entram na minha capacidade, sentem que
estão a entrar nas suas próprias capacidades, porque dentro de mim, veem
todo o amor e cuidado.
Só quando sente a sua unicidade com o Mestre é que poderá fazer progresso
real. Se se sentir um estranho ou um intruso no coração do Mestre, ou mesmo
se se vir apenas como um convidado, nunca terá sucesso na vida espiritual.
Quanto tempo poderá ficar na casa de um amigo como convidado? Apenas
alguns dias ou um mês, e então terá de ir embora. Mesmo sentindo que vem
como amigo, ainda assim deverá partir. Mas, se sentir que a casa dele é a sua
casa, então estará seguro, eternamente seguro.
Quando o discípulo e o Mestre se sentem seguros um no coração do outro, a
hora da iniciação está próxima. Quando o Mestre inicia alguém, ele dá à
pessoa uma porção do seu alento-vida. Na ocasião da iniciação, o Guru faz
uma promessa solene ao buscador e ao Supremo de que dará o melhor de si
para ajudar o buscador na sua vida espiritual, que oferecerá o seu coração e a
sua alma para conduzir o discípulo até à mais elevada região do Além. O
Mestre diz ao Supremo: “A menos e até que eu tenha levado esta criança até
Ti eu não a deixarei, o meu jogo não estará terminado.” E ao discípulo: “De
agora em diante, podes contar comigo; podes considerar-me como muito teu.”
Na hora da iniciação, o Mestre realmente assume as imensas imperfeições do
discípulo, tanto desta quanto das encarnações passadas. Claro que, há
Mestres espirituais verdadeiros e sinceros e, também, os falsos. Aqui, refiro-me
aos verdadeiros. Alguns Mestres que são muito sinceros somente iniciam um
discípulo por mês. Após a iniciação, ficam doentes e sofrem terrivelmente,
porque assumiram verdadeiramente as imperfeições do discípulo. Todavia,
existem alguns Mestres espirituais capazes de iniciar muitos discípulos, sem
sofrimento, porque têm a capacidade de lançar na Consciência Universal as
imperfeições que retiram deles. Mas também há alguns falsos Mestres que
iniciam cinquenta, sessenta ou cem discípulos de uma vez, ou que iniciam por
procuração. Esse tipo de iniciação em massa é uma grande ilusão.

O Guru pode iniciar o discípulo de várias maneiras. Pode fazer a iniciação à
tradicional maneira indiana, enquanto o discípulo medita. Também pode iniciar
enquanto o discípulo dorme ou mesmo na sua consciência normal, desde que
esteja calmo e tranquilo. O Guru pode iniciar o discípulo simplesmente através
dos olhos. Ele olha para o discípulo e imediatamente este é iniciado – mas
ninguém sabe. Um Mestre também pode proceder à iniciação física, que é
pressionar a cabeça ou o coração ou qualquer parte do corpo do discípulo.
Nessa ocasião, ele tenta fazer a consciência física sentir que a iniciação
ocorreu. Mas junto com esta ação física, o Guru iniciará o discípulo de uma
forma psíquica. O Guru vê e sente a alma do discípulo, agindo sobre ela. A
iniciação também pode ser feita através de processos ocultos ou num sonho.
Se não houver Mestre espiritual disponível na época, o próprio Deus pode
tomar uma forma humana muito luminosa no seu sonho ou durante a sua
meditação e Ele próprio pode iniciá-lo. Mas isso é muito raro. Na maioria dos
casos, a iniciação é feita por um Mestre.
Os meus discípulos não precisam de me pedir para iniciá-los exteriormente,
porque eu sei o que é melhor para eles; isto é, eu sei quando ou não a
iniciação exterior vai acelerar o seu progresso interior. Frequentemente, eu
inicio os meus discípulos através do meu terceiro olho, por sentir ser o modo
mais conveniente e eficaz. Muitos já viram os meus olhos quando estou na
minha consciência mais elevada. Nessas ocasiões, os meus olhos humanos
tornam-se um com o meu terceiro olho. Estes dois olhos comuns recebem
infinita Luz do terceiro olho, e a Luz proveniente dos meus olhos divinamente
radiantes, entra nos olhos do aspirante. Imediatamente, a Luz entra no corpo
todo do aspirante e o permeia da cabeça aos pés. Então, vejo a Luz, a minha
própria Luz, a Luz do Supremo, a brilhar na ignorância do discípulo, e aquela
ignorância oferece a sua gratidão. Ela diz: “Agora que me tornei sua, agora que
me fez sua, serei sua para sempre.” Nessa ocasião, torno-me responsável por
iluminar a ignorância do discípulo e o discípulo torna-se responsável por
ajudar-me a manifestar o Supremo na Terra.
Apenas porque eu o iniciei, não significa que pode iniciar outras pessoas. Não
é como se eu lhe contasse uma Verdade que agora pode contar a mais
alguém. Frequentemente, ouço que um Mestre iniciou alguém, e o discípulo
segue iniciando outro, e então este prossegue para outro mais – como
descendentes de uma família. Esse tipo de iniciação não tem valor algum. A
verdadeira iniciação tem de ser feita por um Mestre Deus-realizado; não pode
ser feita por procuração. Se um Mestre tem o poder espiritual de iniciar um
discípulo diretamente no plano oculto, não há problema. Mas, se diz que pode
iniciar alguém através de um discípulo que ainda é um iniciante, esse tipo de
iniciação é um absurdo. Quando as pessoas nos Estados Unidos dizem que
foram solicitadas a iniciar outras pelo seu Mestre espiritual na Índia, então não
se trata mesmo de iniciação; é só ilusão. A iniciação tem de ser feita
diretamente por um Mestre, no plano físico ou nos planos interiores.
Quando o Guru inicia um discípulo, ele aceita-o sem reservas e
incondicionalmente. Mesmo se o discípulo parte após a iniciação, a pensar mal
do Guru, o Guru atuará em e através desse discípulo para sempre. O discípulo
pode até ir a outro Guru, mas o Guru que o iniciou sempre ajudará aquele
buscador no mundo interior. E, se o novo Guru é suficientemente nobre,
permitirá que o Guru original aja em e através do discípulo. Embora a ligação
física com o Guru original esteja cortada, e fisicamente o Guru não veja o

discípulo, espiritualmente ele está destinado a ajudá-lo, pois fez uma promessa
ao Supremo.
Mesmo se o discípulo não buscar outro Guru, mas simplesmente sair do
caminho da Verdade, ainda assim, o seu Guru original tem de manter a
promessa. O discípulo pode sair do caminho espiritual por uma encarnação,
duas ou mesmo muitas encarnações, mas o seu Guru – esteja ele encarnado
ou nas regiões superiores – olha constantemente pelo discípulo e espera pela
oportunidade de o ajudar ativamente, quando ele uma vez mais retornar ao
caminho espiritual. Na verdade, o Guru é sinceramente desapegado, mas
como fez uma promessa ao discípulo e ao Supremo no discípulo, ele espera
indefinidamente por uma oportunidade de conduzir o discípulo para a Meta.
Alguns dos meus discípulos que em algum momento seguiram o meu caminho
com toda a sinceridade, também me deixaram com toda a sinceridade. Mas, se
eles são meus discípulos no mundo interior, se eu já os aceitei e eles eram
meus discípulos verdadeiros, então quero dizer-vos que não os esqueci. Eles
podem levar uma, duas, cinco ou seis encarnações para voltarem à vida de
aspiração, mas não importa quanto tempo levem, eu vou ajudá-los nas suas
marchas em direção à Deus-realização.
Devido à promessa que fiz à alma do meu discípulo e a Deus, sou mais
responsável pelo meu discípulo do que ele próprio. Mas, quem me permite
assumir essa responsabilidade? É o discípulo! Estou à mercê dos meus
discípulos. Neste momento, Deus é uma ideia vaga para eles, de modo que
hoje podem aceitar-me e amanhã podem deixar-me. No plano exterior, o
discípulo pode deixar-me, mas enquanto o Supremo desejar que eu me
concentre naquela pessoa e envie a Sua Luz para aquela pessoa, eu tenho de
o fazer. Depois de deixar o nosso caminho, o discípulo pode seguir algum outro
caminho ou mesmo nenhum. Mas, uma vez que eu aceite alguém, a menos e
até que o Supremo me diga que aquela pessoa está noutras mãos, eu sou
responsável por ela.
Eu digo aos meus alunos, “Estou pronto para assumir todos os teus problemas,
desde que estejas pronto para sentir que é por mim e apenas por mim. Se a
tua dedicação fica dividida aqui e ali, neste e naquele grupo, e se vens meditar
no nosso Centro só de vez em quando, então, mesmo que digas que eu sou o
teu Mestre, tornaste-me impotente para fazer algo por ti. Só se
verdadeiramente me deres a tua completa existência, interior e exterior,
poderei fazer algo por ti. É na força da minha total unicidade contigo e na tua
aceitação de mim que eu posso assumir os teus problemas.”
Quando um grande Mestre diz que temos uma relação eterna com ele, está a
falar pela força da sua absoluta unicidade com o Supremo e com a nossa alma.
Ele sabe que estaremos sempre sob a sua orientação interior. E quando
realizarmos o Altíssimo, veremos que a suprema Consciência que realizamos é
a mesma Consciência que o Mestre representou na Terra. Um verdadeiro
Mestre espiritual incorpora a infinita Consciência do Supremo e representa-a na
Terra.
Quando o Mestre fala de uma relação eterna, trata-se de uma relação de
aceitação mútua. O Mestre não diz, “Quer estejas consciente disso ou não, eu
manterei a minha eterna ligação contigo e seremos eternamente um.” Não, se
o Mestre tem a verdadeiramente capacidade de estabelecer essa eterna
relação com o discípulo, também tem a capacidade de fazer o discípulo sentir
que o fez. O Mestre oferece esta mensagem à alma do buscador, e o buscador

sente que a sua ligação interior com o seu Mestre durará para sempre. Então,
com uma extrema doçura, carinho, compaixão, gratidão e orgulho, o Mestre
aceita o discípulo de todo o coração e para sempre. E o discípulo tem o mesmo
sentimento pelo Mestre; ele sente que o seu Mestre não é uma entidade
separada, mas sim ele mesmo, o próprio discípulo. Sente que o mais elevado,
o qual chama de Mestre, é a sua própria parte mais iluminada. Quando tem
este tipo de sentimento, esta espécie de realização, então a relação eterna
entre Mestre e discípulo poderá ter o seu início.
A relação eterna entre o Mestre e o discípulo só acontece no caso de um
Mestre realizado. Se o Mestre não é completamente realizado, só está a
enganar o discípulo. Há muitos Mestres que não realizaram Deus e ainda
assim dizem, “Oh, nós temos uma eterna ligação. Vou tomar conta de ti,
mesmo após ter deixado o corpo.” Quando este tipo de Mestre deixa o corpo, o
discípulo poderá chamar pelo seu Mestre constantemente, mas não obterá
resposta. Mesmo no plano físico, este tipo de Mestre não tem qualquer
utilidade. Só pode fazer falsas promessas.
O principal objetivo da iniciação é trazer a alma à tona. Se não há iniciação, a
purificação do corpo, do vital, da mente e do coração nunca poderá ser
completa. Se não há iniciação, a Meta altíssima nunca poderá ser realizada. Os
que são próximos de mim, sentem o verdadeiro despertar das suas iniciações,
quando do fundo do coração, dedicam completamente as suas vidas ao
Supremo em mim – corpo, vital, mente, coração e alma. Este despertar da
iniciação é verdadeiramente mais do que a iniciação. É a revelação da própria
divindade interior dos discípulos. Neste momento, sentem que eles e o seu
Guru se tornaram totalmente um só. Sentem que o seu Guru não existe sem
eles e que eles não existem sem o seu Guru. O Guru e o discípulo completam-
se mutuamente e sentem que esta satisfação vem diretamente do Supremo. E
o maior segredo que o discípulo aprende do Guru é que, só satisfazendo o
Supremo primeiro, consegue trazer plenitude ao resto do mundo.
Como pode o Guru satisfazer o Supremo? O Guru faz a sua parte assumindo a
ignorância, imperfeição, obscuridade, impureza e indisposição do discípulo,
conduzindo-as com fé e devotadamente ao Supremo. O discípulo satisfaz o
Supremo permanecendo constantemente no barco do Guru e no mais profundo
recesso do seu coração, sentindo que existe apenas para a satisfação divina
do seu Mestre. Satisfazê-lo, manifestá-lo: essa é a única razão, o único
propósito, o único significado da vida do discípulo.